410 - Bom Natal. Muito Amor e Paz Pra Você

Estou quieto, de novo, irritado e meio intolerante. Cansado de pessoas e  nessa época do ano tudo fica pior. Cidade cheia de gente, comércio da 25 de março, ruas lotadas, protestos de “sem teto” na Boa Vista. Gritam frases idiotas, “o povo – na rua – governo – a culpa – é tua!”. Visitas de crianças, escolas da periferia visitando o Pátio do Colégio, Bovespa, sempre acompanhadas de mariconas pedófilas. As casas e lojas enfeitadas com papais noéis medonhos e dançantes, luzes toscas e mal instaladas nas janelas, guirlandas cafonas, artesanato de terceira idade, penduradas nas portas dos apartamentos. Conversas desinteressantes no trabalho, grupos cercam a máquina de café e o bebedouro, me atrapalham. Atrapalham todo mundo e não percebem, se acham bacanas, bloqueiam a porta do prédio, entopem os elevadores e os vagões do metrô com suas sacolas cheias de merdas compradas na Ladeira Porto Geral, nos camelôs e Lojas C&A. Consigo imaginar suas “festas” de natal, visão do inferno, regadas a Sidra que acompanham o pernil assado na padaria da esquina, suas crianças divertindo-se com brinquedos piratas, plásticos reciclados de lixo hospitalar, seus adolescentes com suas bermudas largas e camisetas “Diesel”. A pirataria faz a festa, animação garantida pelo pagode tocado nos cedês, não menos piratas. Viva a festa da família e seus Lindembergs potenciais. Nessa época do ano as notícias tornam-se rarefeitas. A mídia anseia por um novo assassinato ou a morte de alguma celebridade. Sem tragédias, festa desse povo não está completa.  Povinho filho da puta.


Escrito por J.Roberto às 12h18 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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