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412 - Todo Mundo É Artista
Perdi o sono, mesmo depois de uma garrafa de vinho e horas perdidas na internet, baixando músicas e filmes. Li blogs, a maioria frustrada. Palavras escritas, escolhidas, querendo ser difíceis. Mais que se expressar, querem impressionar. Sonham com suas palavras impressas, grafadas e gravadas a tinta, desejo de perpetuar, eliminar o risco de apagar, mas ainda pode-se rasgar. Esse estranho pendor humano para escolher aquilo que faz mal. Não sou diferente, mas não quero impressionar nem ser impresso. Quem canta mal quer gravar, quer exibir, quer passar, vai passar onde, passa no youtube. Qualquer coisa por um resto de sucesso, gaga de Ilhéus, trepar no mar, alguém para gravar, gravar no celular, quem sabe alguém vai gostar. Meu mal está gravado em mim, está em minhas mãos e nos pés, tatuado na perna e no braço. Não escrito, mas desenhado. É o pó aspirado que fica grudado feito goma, vira catarro e é assoado. Meu mal me tornou Beto, deixei de ser o Zé, o Zé Roberto. Mesmo longe, sinto-o perto, não estou liberto. Chamava-me Bento, o mal coberto. Sem profissão, declara-se fotógrafo, outra forma de perpetuar. E de expressar, quem sabe impressionar. A fotografia digital não basta, precisa, também, ser impressa. E estampada no mural. Fazer tudo para chamar a atenção, então pode ser DJ, também. Todo mundo agora é. É só tocar. Logo eu, que sempre quis ser discreto,com esse tamanho e estabanado. Sem amigos na escola, fiz poesia, voa gaivota, voa. Impressionado pelo Richard Bach, longe é lugar que não existe, quantas ilusões, cantei as aventuras do Messias indeciso com o Raul Seixas. Não ganhei nada com isso, só perdi meu tempo. Como o perco agora aqui, escrevendo. Para você perder o seu, lendo. Escrito por J.Roberto às 11h49 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] 411 - Tudo Bem, No Ano Que Vem
Continuo quieto, esperando o tempo passar. Tento passar despercebido, aguardo as novidades, sempre iguais. Tenho férias, mudei de emprego sem ter saído do mesmo. De certa forma, ainda bem. Ainda bem que tudo passou, que o vento levou, que tudo mudou e continua na mesma. Meus bons tempos chatos que não voltam mais. Divido meu tempo entre duas áreas cheias de gente chata. Tudo bem. Quem sabe, no ano que vem, não os veja nunca mais. Revi meu sobrinho que não via há anos, revi gente da família que julgava perdida para sempre. Constatei que realmente estão. Fui ao Exquisito, fui ao Astronete, dancei até cansar. Mas não cansei, já era manhã e fui dançar no Vegas, madrugada de sábado invadindo o domingo. E no Vegas dispensei beijo. Depois me arrependi, já era tarde demais. Até para o beijo. E já era quase meio dia no lado escuro da vida, fez-se claro. A claridade de um dia de domingo ensolarado e eu, é claro, não a desperdicei. Em São Paulo, não há nada melhor para se fazer num domingo claro de sol, senão dormir. E dormi até tarde. No final da tarde, um filme, C.R.A.Z.Y. Loucos de Amor. Tudo certo e perfeito, sequer dor de cabeça. O beijo dispensado livrou a ressaca moral. Sei que as histórias não têm finais, sequer começos, já as conheço, às vezes tropeço, às vezes as perco por querer, sabendo de tudo. Se não sei, adivinho. Por saber bela, a vida. Escrito por J.Roberto às 10h46 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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