413 - Nem Tanto Assim

 

 Vou fazendo minha coleção de palavras. Também de gargalhadas, baladas, beijos e dispensadas. Ontem, na casa da Lica: "nós começamos confusos e terminamos confusos, num nível mais elevado". Na verdade, ontem já era a madrugada de hoje. Ontem foi churrasco no Água Benta, com muitas risadas e músicas gritadas, cantadas e louças lavadas. Palavras Cruzadas, destacadas, grifadas, diretas, coquetel, dominox, caça-palavras. Palavras dispensadas, costuradas em boca de sapo, noites emendadas. Sexta no Pop's, antes amigo-secreto de produtos de sex shop. Já não queria mais ouvir nenhuma palavra, veio o sábado, com a Duda, seriados na tevê e novamente era noite, costurada, remendada. Lá no Flyer, de novo no Astronete, mais risadas. Mais beijos e esnobadas. Harry Potter estava por lá, alegra-te da tua vida, meu caro rapaz, já passou mais tempo do que julgas. Eu nunca te julguei esquecido, você sempre está em algum lugar, esse gosto rock'n'roll torna São Paulo pequena. E eu não me canso nunca, manhã no Hell's, Vegas. Domingo alinhavado no sábado, veio outro beijo, poucas palavras, algum desejo. E hoje tem Studio SP, cedo e sentado, Cassavettes tocam Beatles, eu faço bico e vou de novo é o que tem pra hoje. Sempre tem algo pra hoje, depois reclamo das câimbras. Álcool com cânfora, massagem e sorrisos. Finjo que não ligo. Eu já não morro de amores, leio novo livro, Coração de Tinta. É a última semana de trabalho em 2008, depois  vou ver o mar. Deixo minha São Paulo dormir um pouco, guardando sempre a chance de um novo amor. Debruço na janela, mas já não deixo a vida passar. Passo por ela sem medo da morte. Bendita seja a minha, a sua, a nossa sorte.


Escrito por J.Roberto às 13h58 [   ] [ envie esta mensagem ] [ ]



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