|
|
|||||||||||||||||||||||||||||||
|
416 - De Volta Pro Futuro
Madrugada no bar, pensei num post. Sei lá se, em casa, consigo resgatar o que pensei. Basicamente, novamente, pensei no tempo. Nos meus passados, futuros dos pretéritos mais que perfeitos. Rua Vitória, Boca do Lixo, A Farsa, sem o charme do texto do Sílvio de Abreu ou a beleza iniciante da Sílvia Pfifer. Como eu, ela já começou decadente e errada. Nosso narguilê e os gererês que boiaram no Guarujá. Ninguém sabe disso. Eu sei. Ela sabe. Nada a ver com essas essências enjoativas atuais dos adolescentes. Nossas latas. Lata maná, lata Mané, mergulhamos e deu pé. Mergulhamos fundo, presenteados pelo melado que eu nem gosto tanto, mas eram outros tempos. Latas de leite Ninho e eu ainda interessado na farinha láctea. Passou. Outra década. Estou enjoado com minha caipirinha, adoçante, acabou o açúcar. Vi Bethânia, show bacana. Dublou até com Alcione. Deixa isso pra lá, melhor não comentar, coisas do Centro de São Paulo. Madrugada e eu revi teu nome, “eu acho que você já nem se lembra mais”. 2009 é o último ano da década? Não sei, se contarmos de 2000 a 2009, este é o último. O que ficou da primeira década do milênio? Talvez o Indie rock. Mas estamos só no começo do final da década, talvez tenha alguma novidade por aí. Mistério sempre há de pintar. Abandonado, já estou. Há tempos. Algo incompreensível? Nem tanto. Qual gravura para ilustrar? Não quero pensar nisso. Penso na Dri, almoço no centro velho, passeio no Centro Cultural do Banco do Brasil e um Happy Hour. Feliz, sim. Encontro do novo e do antigo, tão igual. Cazuza sabia, Perto do Fogo. Depois, Major Sertório, Arouche, bebidas e mais nada. Será que preciso mais do que isso? Ontem, a morte de uma amiga de colégio. Dos meus irmãos, não minha. Tão jovem. (!) Cada um no seu quadrado, nunca nos gostamos, infartou. Melhor que meu irmão, há sete meses em coma. Tentam conforto, descanso, pior para quem fica. Não acho isso, não. Os mortos ficam na lembrança, por um tempo. Depois esquecimento, os sobreviventes tocam suas vidas. Os mortos, nem sabem que morreram. Sabemos que estamos vivos e, estranhamente, somos a única espécie animal com a consciência da perenidade. Como você quer ser lembrado? Sinceramente, não tenho necessidade alguma de ser lembrado. Não quero fazer parte do passado de ninguém, não sou ex nada. Nem ex-emplo, eu sou. Meu tempo verbal é o presente, infinito. E claro, sempre incômodo. Escrito por J.Roberto às 02h51 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
|
||||||||||||||||||||||||||||||