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426 - Desejos e Esperas
Sigo contando os dias, shows do The Killers, Gogol Bordello, Franz Ferdinand e férias. Garantidos, somente os Killers e as férias. Espero o início das vendas de ingressos para os outros dois. Aguardo, ainda, a restituição do IR, o crédito da Participação nos Lucros e uma solução para os R$ 29mil, roubados por um advogado, em 2005. Anseio pelo encontro de alguém parecido comigo e que faça valer a pena deixar de ser Um. Enquanto nada disso vem, levo os dias trabalhando, sorrindo com alguns amigos, contemplo o Daruma caolho, fumo em portas de bares, fico chapado pelas noites, cozinho pelas manhãs, principalmente um bolo de maçã com canela, receita de amor. Semeio trigo em fazendinha virtual, separo o joio em meu mundo real, meu campo de centeio. Importo-me pouco com muita coisa e muito, com algumas poucas. Contemplo paisagens, ainda que as mesmas, porém tingidas novas todos os dias, luz do sol, fumaças e poeiras do meu Jardim São Paulo. Planto flores e ervas daninhas nele, contemplo o crescimento e a destruição. Em minhas lutas, cravo o bem e o mal. Inexistentes, apenas relativos ao tempo, espaço e bons costumes do lugar. Não tenho costumes, tenho manias, cismas e relicários espalhados em casa e no trabalho. Oiá, Nossas Senhoras, Budas, São Judas, São Francisco, Baguá, Ogum, Iemanjá, Manekineko, Incensos, Ervas, Sais, Terços e mais um monte de superstições para sorte. Se tiver alguma, nem me conte, pego todas. Sinto-me inteiro com elas, mas não paro de contemplar meu desejo maior agora: livrar-me de todas as cismas, trocando-a pela carametade. Então, teremos dois olhos.
Escrito por J.Roberto às 14h33 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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