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469 - Common People
O dia amanheceu com novas perspectivas. Amanheceu deixando pra trás velhos vícios, velhas manias, medos e receios. Passei os últimos anos acordando com medo do dia. Amanhecia rezando, implorando para sobreviver às agressões diárias e certeiras às quais era submetido. Voltava pra casa agradecendo por ter sobrevivido. Quando ia dormir sóbrio, implorava para que não houvesse amanhã. Assim, cumpria-se meu ciclo vicioso, já pleno de aceitação. Passado o ciclo, demorei em acostumar à rotina, feito refém recém liberto. Mas o sol saiu e o vento mostrou-se a favor, ainda que meu barco seja sempre do contra. E contra tudo, todos e, inclusive, a mim, vou me refazendo. Buenos Aires e Punta del Este, pontos de partida para o Universo. Botei os dois pés no chão ao mesmo tempo, sem o medo anterior, necessário acordar com o pé direito. Meu pé direito é alto. Agora vôo alto, com o chão nos pés, falo baixo nos meus decibéis. Amo quem me ama, pago o preço da imortalidade vivendo cada dia como se fosse o último. Melhor, como se fosse o primeiro dia do resto da minha vida. Vendo a alma pra pagar o meu mundo, faço um pouco de tudo e não quero fazer mais, coisas que já fiz muito. Quero erros novos, acertos certos, dúvidas possíveis e certezas falidas. Quero vida, nada é por acaso e, por acaso, eu encontro, todos os dias, infinitas possibilidades de felicidade. É na “possibilidade” que encontro o real. Tudo é possível, sagrada minha saúde e minha infinita capacidade e possibilidade de amar, reamar, reconsiderar, cuidar de mim, de você, de nós. Nós desatados, passado enterrado, pés alados, Europa esperando minha visita. Lá, reencontrarei meu rock’n’roll, The Hives, Portishead e minha presença marcando na volta do Pulp. “Eu quero viver como pessoas comuns, eu quero fazer o que quer que pessoas comuns façam...”
Escrito por J.Roberto às 13h01 [ ] [ envie esta mensagem ] [ link ] |
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